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Sobre marcio

Doutorando pela Universidade de Sorocaba (2016), mestrado em Filosofia Brasileira pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2011), especialização em Filosofia Clínica pelo Instituto Packter (2000) e graduação em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1997). Atualmente é professor titular do Instituto de Filosofia Clínica de Campinas e Região. Membro do Conselho Editorial da "Informação Dirigida - Revista Internacional de Filosofia Clínica" e da "Filosofia, Ciência & Vida". Editor da Revista de Filosofia Clínica do IMFIC. Sócio Proprietário do Instituto Mineiro de Filosofia Clínica (IMFIC). Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em Filosofia Brasileira e Filosofia Clínica, atuando principalmente nos seguintes temas: filosofia clínica, história da filosofia, filosofia e cinema, filosofia clínica e cinema, filosofia brasileira.

Cartaz EM2017

XV Encontro Mineiro de Filosofia Clínica / II Diálogo Nacional em Filosofia Clínica

PROGRAMAÇÃO: (35 vagas)

Dia 12 de outubro (quinta feira)

11:00hs  às 13:30hs:  Credenciamento

14:00hs: Abertura dos trabalhos

Profs. Márcio José/IMFIC, Izabel Cristina /IMFIC, Marta Claus/IMFIC, Kélsen Melo/IMFIC-BH

14:30hs: O consultório como lugar de formação contínua do Filósofo Clínico

Profa. Ana Cristina da Conceição/ IMFIC – São João del-Rei

15:15hs: A relação corpo e mente: as contribuições da Filosofia Clínica para a compreensão do estresse na busca do equilíbrio da saúde.

Profa. Marta Batalini /IMFIC – Uberlândia

16:00hs às 16:20hs: Pausa para café

16:20hs: Aconselhamento filosófico no consultório

Maria da Conceição Silva / Filósofa Clínica  – Aconselhadora Filosófica – Portugal

17:00hs: Relato de caso clínico

profa. Izabel Cristina Pereira /IMFIC-Poços de Caldas

17:50hsEncerramento

Dia 13 de outubro (Sexta feira)

9:00hs: Filosofia clínica e as terapias alternativas: como se faz no consultório

Patrícia de Cássia Oliveira /IMFIC – Juiz de Fora e Montes Claros

9:50hs:  Filosofia Aplicada à pessoa: dialogando com José Barrientos Rastrojo

Leonardo Ricco Medeiros / IMFIC – Batatais-SP

10:40hs: Pausa para o café

11:00hs:  A filosofia de Giorgio Agamben e a Filosofia Clínica

Gláucia Tittanegro /Recanto da Filosofia Clínica – São Paulo – SP

11:50:hs: Pausa para almoço

14:00hs: Meu consultório é na rua: depoimento do inusitado

Marcio José A. Silva /IMFIC – Campinas

14:50hs:  Questões psiquiátricas no consultório Filosófico.
Marta Claus/IMFIC-BH-Ipatinga

15:40hs: Pausa para o café

16:00hs:  Lançamento da Revista Partilhas, ano IV número IV, 2017.

17:50hs:  Encerramento

Dia 14 de outubro (sábado)

9:00hs: Mesa redonda com os todos os professores do IMFIC.

Cada professor fará uma pequena explanação da FC em seu polo.

10:30hs: Pausa para o café

10:50hs: Papo Reto

Perguntas dos participantes aos professores e convidados

12:00hs: Pausa para o almoço

14:00hs: Entrega de Certificados/ Orientações Gerais

INSCRIÇÕES:  (somente 35 vagas) 

Para efetuar sua inscrição envie um e-mail para martaclaus@yahoo.com.br e imfic@imfic.orgcontendo os seguintes dados:

Nome completo (para certificado), RG, CPF, Endereço atualizado e comprovante de pagamento de inscrição.

Valor da taxa: R$ 70,00 a serem depositados no banco Itaú,  agência: 1430 conta poupança 18507-2 em nome de Kélsen André Melo dos Santos.

Dica: BH é a capital nacional do “Buteco” e sábado à noite é muito interessante e cultural a ida a algum deles, especialmente nos da charmosa “Savassi”. Domingo pela manhã não deixe de ir à Feira de Arte e Artesanato da av. Afonso Pena que é maior da América do Sul com mais de 2.500 expositores. (http://www.feirahippiebh.com/). Há também o Palácio das Artes onde podem ser vistas exposições de arte, shows musicais, tomar um delicioso café e visitar a livraria O Circuito Cultural Praça da Liberdade é o maior conjunto integrado de cultura do Brasil. O projeto foi desenvolvido pelo Governo de Minas, por meio da Secretaria de Cultura em parceria com empresas da iniciativa privada. Os antigos prédios públicos foram transformados em espaços interativos que buscam espelhar a diversidade: acervos históricos, artísticos e temáticos; centros culturais interativos; biblioteca e espaços para oficinas, cursos e ateliês abertos; além de planetário, cafeterias, restaurantes e lojas.   (http://circuitoculturalliberdade.com.br )

INFORMAÇÕES ÚTEIS

RESERVE SEU HOTEL O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL POIS A DATA COINCIDE COM FERIADOS.

Hotéis Perto do evento:

Bristol Golden Plaza Hotel 

Rua rio de Janeiro 1436 (na mesma rua do evento)

Diária a partir de: R$ 170,00

http://www.bristolhotels.com.br/golden-plaza-hotel/hotel-special-offershtml

Hotel perto da conexão aeroporto, bares, restaurantes e cafés.

Praça da Liberdade Hotel

Av. Brasil 1912 (1,6 km do local do evento)

Diárias a partir de: R$ 130,00

http://www.pracadaliberdade.com.br/

Hotel perto de bares, restaurantes, cafés, circuito cultural Praça da Liberdade, Centro Cultural Banco do Brasil e Galerias de Arte.

Hotel Boa Viagem

Rua Bernardo Guimarães 1323 (1,5 km do local do evento)

Diárias a partir de R$ 90,00 (hotel simples)

http://www.hotelboaviagembh.com.br/

Hotel perto de bares, restaurantes, circuito cultural Praça da Liberdade, Centro Cultural Banco do Brasil e Galerias de Arte.

Ibis Liberdade /Belo Horizonte

Av. João Pinheiro 602 (1,6 km do evento)

Diárias a partir de R$ 140,00

http://www.ibis.com/pt-br/hotel-5298-ibis-belo-horizonte-liberdade/index.shtml

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XIII Encontro Mineiro de Filosofia Clínica – Informações

XIII Encontro Mineiro de Filosofia Clínica – 30 vagas

 

INSCRIÇÕES: Envie um e-mail para   IMFIC@IMFIC.ORG e confirme sua participação.

TAXA DE INSCRIÇÃO: R$ 60,00 pagos no primeiro dia do evento.

HOTÉIS: 

SESC POÇOS DE CALDAS (MELHOR OFERTA)
http://www.sesc.com.br/portal/sesc/unidades/minas_gerais/sesc+pousada+pocos+de+caldas

DAN IN POÇOS DE CLADAS
http://www.nacionalinn.com.br/pocos-de-caldas/dan-inn-pocos-de-caldas/?locale=pt_BR

HOTEL FANTOZZI
Endereço: Rua Goiás, 517 – Centro, Poços de Caldas – MG, 37701-005
Telefone: (35) 3721-2621 (SIMPLES E BARATO) 

IBIS POÇOS DE CALDAS
Endereço: R. Junqueiras, 520 – Centro, Poços de Caldas – MG, 37701-033
Telefone:(35) 3066-6650

 

Leitura (1892), tela de Almeida Júnior.

Cada um lê e interpreta com os olhos que tem?!? – Ercílio Facanali

Quem degusta com prazer e esmero do conhecimento, que gosta veementemente de uma boa leitura e aprofunda nas pesquisas, escrevendo e compartilhando suas ideias, muitas vezes acaba não sendo entendido nem muito bem recebido por uma boa parte do público… Por que será que ocorre esse desentendimento entre quem escreve e quem está lendo? Poderíamos chamar todos os que não concordam de reacionárias, gregários e que não tem nenhum compromisso com o saber? De qualquer maneira, como consequência do mal entendido, uma boa parte dos que se preocupam com a pesquisa ou com algo novo, inusitado, infelizmente, aos poucos vai sendo expulso de algum paraíso…

Dizem que o fruto do saber afronta e faz um mal muito grande aos arrogantes e principalmente aos turrões, que muitas vezes se opõem a tudo e a todos sem nenhuma fundamentação e nem entendimento preciso do assunto… Mas devo dizer com todas as letras e lealdade: não vejo nenhum mal se a pessoa é ou deixa de ser desenformada ou descuidada em relação à leitura e à pesquisa… Mesmo porque, com toda a liberdade possível, cada um cria o seu modo único de vida e deve dar conta do seu sucesso ou fracasso… Embora já ouvisse dizer que a leitura em excesso prejudica a saúde…  Mas cá para nós, é precisa alertar que para muitos e muitas, uma boa leitura faz bem à saúde mental e ao corpo todo…

E mais: mesmo não concordando com o que está lendo ou interpretando; parece não haver nenhum efeito colateral que possa perturbar a mente por muito tempo… Aliás, muitas vezes, no decorrer do tempo, as opiniões podem até mudar de endereço… Parece que tudo depende do momento histórico ou da circunstância a qual  cada um está vivendo… É como diz aquela velha e conhecida história popular: “enquanto um está levando o fubá para ser cozido; o outro já está com a polenta pronta e quentinha para ser degustada”… Nós somos seres livres e diferentes um do outro… E, sem dúvida, é exatamente isso que dá sentido à nossa caminhada existencial…

Por isso, não vamos perder tempo no tempo, porque querendo ou não, ele é patético e passa de repente, mas para a nossa sorte e felicidade, sempre deixa espalhadas algumas sementes do bom entendimento pelo Universo… Mas todo cuidado é pouco, porque a sementeira do saber mesmo caindo em terra fértil, do plantio à colheita necessita de cuidado e ponderação para produzir bons frutos… No entanto, é praticamente impossível desvendar com precisão a chave que trava e destrava o enigma do silêncio que mora dentro de cada um de nós… Mesmo porque, não se tem noção dos valores que cada ser desse imenso Planeta Terra, estrutura e presa no seu precioso interior…

Mas poderíamos perguntar: onde está de fato esse tão badalado conhecimento, que se comenta por todos os lados e parece esconder do nosso controle? Será que tem um lugar certo para ser encontrado e admirado? O saber já tem um caminho predeterminado por algum sábio guru para ser seguido? É um receituário que está pronto para todos e todas, que precisa ser seguido passo a passo às normas estabelecidas? Este conhecimento está dentro de nós ou está espalhado pelo Universo? Pois bem, se para conhecer algo precisamos seguir um caminho já traçado, qual é nosso mérito? Deste modo, nós que deveríamos ser protagonista da nossa história, podemos nos tornar seres totalmente obsoletos…

Entretanto, não se pode pintar diferente da cor que cada um já tem e mantem dentro do seu coração… Caiar o outro da cor que eu gostaria que ele fosse poderá tirar dela ou dele o seu verdadeiro brilho, a sua verdadeira essência como ser humano ou sua magia existencial…  Como diz com muita propriedade o ilustre educador, Paulo Freire: “todos nós sabemos alguma coisa…” “Todos nós ignoramos alguma coisa…” “Por isso, aprendemos sempre…” De qualquer maneira, é necessário que se faça, sem trégua, uma nova leitura da realidade onde está inserido… É aquela velha e conhecida história: vivendo e aprendendo… Aprendendo e vivendo, porque o paraíso é de todos e para todos…

De qualquer maneira, uma coisa parece estar mais clara dentro de cada um de nós, ninguém em sã consciência ou perturbado por alguma coisa ou por alguém, vai expor tudo o que está sentindo e pensando, senão acabará por esgotar o seu verdadeiro ser… É isso mesmo… Seria um desastre para o ser humano se ele falasse por completo tudo que está dentro e fora do seu interior… Mesmo porque, um ser de plasticidade, jamais poderá se sentir vazio e deixar de posicionar diante de questões polêmicas… De ser taxado de não ter mais as suas próprias opiniões… De não falar muito por receio de cometer asneiras ou de achar que já concluiu tudo na vida e que não precisa dizer mais nada para ninguém… É como frear um carro e desligar o seu motor…

Mas, refletindo um pouco mais, vamos percebendo que não somos e nunca vamos ser semelhantes a uma máquina que tem um manual de instrução, mas é inoperante por si só e depende de nós para funcionar… Com diz com muita propriedade o ilustre Leonardo Boff: “cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam. Todo ponto de vista é um ponto…” Eu posso, no entanto, parar de aprender, mas a vida não perdoa e jamais vai parar de ensinar… E eu sinto e tenho plena certeza que é exatamente isso que dá sentido à nossa caminhada existencial…

Início de nova turma em Filosofia Clínica – Campinas/SP – 13 de agosto de 2016

Turma2016

FILOSOFIA CLÍNICA – Polo Campinas/SP

APRESENTAÇÃO

O curso de Pós-Graduação em Filosofia Clínica tem como objetivo principal a formação de Filósofos Clínicos (terapeutas) e Especialistas em Filosofia Clínica (pesquisadores e consultores). O curso é destinado tanto para filósofos com o interesse na psicoterapia, quanto para profissionais de outras áreas que queiram utilizar a Filosofia Clínica em suas profissões, além de pessoas sem formação superior, mas que desejam utilizar os conhecimentos da Filosofia Clínica para o seu crescimento existencial, neste último caso como curso de extensão.

O IMFIC está disponibilizando a formação de novas turmas de Pós-Graduação em Filosofia Clínica nos polos de Belo Horizonte, Ipatinga, Uberlândia, Poços de Caldas, Campinas/SP, Juiz de Fora/MG, São João del Rei/MG, Montes Claros, entre outros. É um curso profissionalizante de formação livre.

ÁREA DE ATUAÇÃO

São duas as possibilidades de atuação do profissional formado em Filosofia Clínica:

Formados em filosofia e áreas afins*: atuação como Filósofo Clínico, desempenhando a atividade de psicoterapeuta em clínicas, consultórios, hospitais, instituições educacionais, empresas e outros.

Profissionais de outras áreas: pesquisa, ensino, consultoria empresarial, capacitação pessoal, gestão de pessoas e outros.

* Aqueles que não possuírem o curso superior, poderão cursá-lo posteriormente para conseguir a habilitação à clínica, tendo como opção o curso à distância de Filosofia do Instituto Packter, com duração de 2 anos e 2 meses.

GRADE CURRICULAR

Disciplinas

Introdução às Filosofias Aplicadas

Introdução à Filosofia Clínica

Fundamentação Filosófica

Historicidade e Dados divisórios

Categorias e Exames categoriais

Estrutura de Pensamento I, II e III – Tópicos 1 a 30)

Caderno Médico I – Noções de Psiquiatria

Caderno Médico II – Noções de Neurociência

Caderno Médico III – Noções de Farmacologia

Procedimentos Clínicos – Submodos 01 a 32

Filosofia Clínica Aplicada – Tópicos em (Educação, Saúde, …)

Estudos de casos clínicos: planejamento

Leituras Clínicas

Ética Profissional

Metodologia da Pesquisa

Disciplina optativa /TCC

 

PÚBLICO ALVO:

  • Profissionais e estudantes de Filosofia.
  • Profissionais e estudantes de outras áreas, com interesse em utilizar os ensinamentos adquiridos no curso em suas atividades.

 PRÉ-REQUISITOS:

  • Graduação em Filosofia ou estudante a partir do 7º semestre.
  • Portador de diploma de nível superior, reconhecido pelo MEC, em outras áreas.
  • Profissionais da área terapêutica, sem nível superior frequentam o curso em nível de extensão.

INICIO DAS AULAS: 13/08/2016

CARGA HORÁRIA: 360h/a (parte teórica) DURAÇÃO: 18 MESES (parte teórica)

HORÁRIO DE AULA: um sábado ao mês das 9:00 às 17:00hs

INFORMAÇÕES: Márcio José Andrade da Silva – marciojosefc@gmail.com – (19) 99125-2347

Local das aulas: Av. Ayrton Senna da Silva, 129 – Jd. Proença – Campinas/SP

Valor da mensalidade: R$ 340,00

CHANCELA DO CURSO:

  • Especialização pelo IMFIC– Instituto Mineiro de Filosofia Clínica imfic.org 
  • Filósofo Clínico (certificado A) – / Instituto Mineiro de Filosofia Clínica

CALENDÁRIO

2016

13 DE AGOSTO

10 DE SETEMBRO

15 DE OUTUBRO

19 DE NOVEMBRO

10 DE DEZEMBRO

2017*

11 DE FEVEREIRO

11 DE MARÇO

08 DE ABRIL

13 DE MAIO

10 DE JUNHO

08 DE JULHO

12 DE AGOSTO

16 DE SETEMBRO

21 DE OUTUBRO

11 DE NOVEMBRO

02 DE DEZEMBRO

2018*

10 DE FEVEREIRO

10 DE MARÇO

* data sujeita a alteração, conforme eventos da Filosofia Clínica.

Will Goya

Ética e Filosofia Clínica – Coisas que a escuta ensina – por Will Goya

Há muitos anos atrás, quando eu tinha exatamente nove anos, eu ouvi de minha mãe o que para mim foi, continua sendo e quiçá não deixará de ser, um dos mais revolucionários conhecimentos que tive na vida. Foi assustadoramente revelador o quanto eu me escondia do encontro com a verdade, que não era um objeto nem outra coisa senão o que unia os meus olhos ao mundo: um ponto de vista da totalidade e o seu inverso. Faltava-me, até aquele momento, o espelho de outros olhos com que se pode melhor enxergar a vida. Até então eu pensava que o mundo não era mais do que eu pensava ser, e que as pessoas se enganavam quando discordavam de mim. O mais absurdo foi me dar conta, algum tempo mais tarde, que o autoconhecimento não viria só de um olhar-se para dentro, mas de muitos outros ângulos. Precisaria observar como os outros me viam, portanto, antes, de saber vê-los com seus próprios olhos. Haveria depois que achar a possibilidade de algum entendimento entre as nossas diferenças. E, por fim, por maior que fosse o conflito resultante, nunca esquecer que o mundo é mais do que qualquer um vê, mas só é inteiro até onde a vista alcança. Que estranha lucidez é essa que obriga a consciência a ser humilde e jamais poder ver o que existe além do olhar, excitando a curiosidade para o infinito? Naquele momento, o importante para mim foi descobrir que o mundo é sempre maior que todas as verdades do pensamento.

A pretexto do que não me lembro bem, ela me disse: “não é o cobertor que esquenta você, meu filho… é você que esquenta o cobertor”. O mundo, impactante e imprevisto, girou na minha cabeça. Eu, que me sentia tão quentinho por causa da coberta, não imaginava que a verdade vinha da perspectiva, que o erro era a falta de um outro olhar, sobre o qual tudo mais existia. A coberta e eu (as coisas e os pensamentos) éramos verdadeiros, mas nossa relação era falsa. Na época descobrira o princípio de toda filosofia: que pensar o óbvio é fechar os olhos para novas “des-cobertas”. Desde então frequentemente me perguntei a respeito das pessoas, das minhas certezas, sobre tudo o que se escondia além das aparências e sobre como funciona o pensamento. Sem dificuldades, um dia entendi que eu era filósofo. Como todas as coisas parecem ter pelo menos dois lados, o meu lado instigador de criança sempre ficou do lado de dentro. Foi assim que iniciei meus estudos sobre ética, sobre gente… não apenas sobre o que parece ser certo ou errado, mas sobre os critérios desse julgamento. Por fim, mais tarde compreendi na Filosofia Clínica, de Lúcio Packter, algo mais do que o “amor à verdade” – significado grego da palavra filosofia. Comecei a ouvir na alma as verdades do amor. Jovem há mais tempo, depois de filósofo, tornei-me psicoterapeuta.

Antes da Filosofia Clínica eu consultava os filósofos, suas questões e métodos, intentava ser fiel ao contexto e conflitos de cada época em que suas obras foram escritas, no desejo de quem sabe melhor entender a marca de seus pensamentos e a profundidade de seus alcances. Mas ainda não aprendera a pensar meus próprios problemas – meus e de meu entorno – a partir do que eu lera até então. Falha minha e não de meus professores. Todavia, estudando com Packter, algumas vezes ele me desconcertava com a simplicidade poderosa de certas perguntas a respeito de dramas psicológicos facilmente encontrados na clínica de consultório, como esta: “Will, o que Platão diria para uma pessoa que acabou de perder o emprego, tendo filhos para alimentar, pagar escola, aluguel etc, e que por isso entrasse em desespero? ”. Eu sabia o que Platão afirmava em seus livros, mas ainda não sabia pensar platonicamente os problemas cotidianos da vida. Vencido o susto e posto ao trabalho, finalmente concluía, não sem algum orgulho de mim mesmo, algumas hipóteses teoricamente satisfatórias ou pelo menos defensáveis numa pós-graduação. Quando a mim tudo parecia novamente tranquilo, eis que me vinha o Lúcio de novo: “Meu querido, você está me dando uma resposta acadêmica, uma explicação teórica… A questão é outra e não é para mim, mas para aquele homem desempregado, usando a linguagem dele, que não é filósofo, que não sabe mais o que fazer da vida, mal compreendido pela esposa, que chora e pensa em suicídio. O que você faria para ajudá-lo se ele lhe aparecesse na sua frente pedindo orientação? Quero dizer, como você faria isso a partir do que Platão mostrava ser possível orientar as pessoas pela filosofia? ”. Perguntas como essa eu sempre reformulava assim: “com quantos pensamentos se constrói um barco? ”. Assim como um construtor de barcos sabe pensar corretamente as diferenças entre o bom e o ruim, muitas vezes a vida nos pede para reconstruir caminhos e sorrisos perdidos. Com isso aprendi que, bem mais que um sentimento, o amor é inteligente.

Dizem que é preciso respeitar as pessoas como elas são… e isso parece muito justo. Mas afinal, como elas são? Curiosamente as respostas quase sempre se antecipam às perguntas. É hábito de a maioria ter prévias explicações daquilo que ela própria não saberia fundamentar. Se se diz que fulano faltou com bom-senso, caberia a pergunta: o que é bom-senso? Se um crítico afirma que a vida em sociedade nos torna neuróticos e prova isso afirmando que desde Freud essa verdade está mais do que provada, inclusive mostrando os livros em que isso é dito, porque haveríamos de aceitar isso como verdade tão facilmente? Poderíamos questionar se de fato existe tal “neurose” e se o método freudiano é científico, válido, atual etc; querer saber o que é ciência e até mesmo buscar descobrir se existe algum método capaz de garantir suficiente segurança para afirmar o que é a verdade a respeito do que se pesquisa. E ainda que encontrássemos tais garantias em uma explicação, possivelmente haveria outras diferentes teorias igualmente bem fundamentadas, com novas perspectivas e conclusões. De resto, do ponto de vista ético, parece não haver dúvidas sobre o princípio básico do respeito: antes do que é dito, saber escutar.

Uma escuta clínica normalmente se interessa por localizar doenças ou tratar doentes. A escuta na Filosofia clínica difere por questionar o conceito de doença e, por conseguinte, o de cura, especialmente quando o assunto, longe das questões de natureza puramente física e biológica, refere-se a aspectos psicológicos e comportamentais, em que tudo não passa de valores comparados com valores. Dizendo assim, não se pode entender por clínica, nesta específica filosofia de consultório, qualquer significado próximo de uma ideia de tratamento daquilo que alguns insistem chamar de “disfunções psicológicas”, e que não passam de simples ou complexos modos individuais de ser, sem comparações diminutivas. Não faz sentido argumentar que o filósofo erra por não possuir conhecimentos científicos necessários para o diagnóstico de psicopatologias, sobretudo porque uma das maiores competências da filosofia está em desfazer falsos problemas e, com eles, a prática equivocada de suas consequências. Os diversos conceitos psicológicos de doenças mentais são muito relativos, por serem culturais, e pela razão de não estarem nem um pouco isentos dos interesses políticos e econômicos, dos mecanismos de classificação, controle e “ajustamento” aos estados de pressuposta normalidade. Em termos éticos, é inaceitável rotular alguém por “normal”, ou qualquer variação do seu contrário, por enquadrar-se nas normas científica e socialmente estabelecidas pelos poderes vigentes ou pelo nivelamento da maioria. É nesse sentido, sobretudo pela dignidade moral, que a Filosofia Clínica alivia o peso dos equívocos de significado da acepção de “loucura” versus “normalidade” e seus correlatos mais brandos (“neurótico”, “desequilibrado/descompensado emocionalmente” etc.), porém não menos cruéis em seu estigma de exclusão. Não há nisso novidades que já não tenham sido ditas em multianálises do poder, por filósofos como Michel Foucault em A História da Loucura e por literatos como Machado de Assis, em O Alienista.

Antes que alguém se arrogue algum direito de poder sob o status de alguma verdade, é preciso que se diga: todas as noções de verdade são discutíveis, com métodos próprios segundo as características de cada tema. O conceito de “verdade” pode se resumir em três tipos de conhecimentos diferentes:

  1. O objetivo (do mundo material e das ciências exatas),
  2. O intersubjetivo (próprio da cultura, dos desejos de relação, das ciências humanas em geral etc.), e
  3. O subjetivo (único e intransferível da percepção de cada individualidade).

Tais dimensões da realidade se interagem constantemente, pois a totalidade da vida as pressupõe a cada instante, no entanto jamais se confundem. Exemplos: ouvir um médico sobre as estatísticas de avanço da metástase de células cancerosas de um paciente, argumentando que Deus não permitirá isso acontecer, é, com total perda de objetividade, não escutar o médico e, possivelmente, nem a Deus. É bastante apropriado afirmar que gosto se discute sim, e com razão; quando isso é relativo a um tempo e cultura específicos, sem valor universal fora desses limites. Neste caso, entre vinicultores, é correto julgar a qualidade ruim de um vinho, afirmando gostos com valor de verdade intersubjetiva. Todavia, seria um crime ético exigir mínima concordância subjetiva a respeito de fé religiosa, da preferência de cores, exprimindo com exatidão os sentimentos, as vivências e sensações comuns, pois ainda que as experiências pessoais se assemelhem nas aparências, a mesma sede, o estado de humor, o paladar e o exato gole de bebida nunca se repetem na vida, nem para si mesmo.

Seja como for, a Filosofia Clínica em particular não se ocupa do que é relativo, embora uma pesquisa da história, da sociedade e da cultura se faça indispensável ao entendimento do seu primeiro interesse: o indivíduo. Tal filosofia se dedica ao que é subjetivo, às pessoas e suas relações íntimas com o meio que as contorna e da maneira ímpar como elas o fazem. O filósofo clínico, enquanto terapeuta, tem uma única finalidade: cuidar daqueles que lhe pedem orientação existencial, entendidos não como pacientes, mas como “partilhantes”. O jeito de ser de cada um, por mais estranho que pareça aos que se acham melhores, não merece ser “curado”. O filósofo, portanto, não cura, cuida.

Todos temos um eixo de gravidade individual, uma estrutura que nos define, um modo próprio de existir, em que nela se pode supor, quem sabe encontrar, o equilíbrio das forças internas. Tal centro de sustentação não se advinha à distância em ninguém. Como planetas no espaço, cada alma é um mundo próprio, movimentando em torno de si mesmo a mesma vida que o leva além. Somos assim: simultaneamente constituídos de um universo interior e de um contorno ambiente. Somos, pois, o resultado e a renovação desse encontro de grandezas. O que às vezes nos parece ser gigante, noutras não é mais que um grão perdido na imensidão das galáxias. A esta estrutura individual da psique humana Lúcio Packter nominou de “Estrutura do Pensamento”. Sem prejulgamentos sobre a personalidade de quem não conhecemos bem, somente com uma profunda ética da escuta é possível “des-cobrir” quais são os elementos psicológicos que formam o centro de influência determinante de uma pessoa, que leva tudo o mais a ser fortemente atraído para ele. Algumas pessoas são marcadas pela emotividade e é através dos sentimentos religiosos que buscam solução para todos os seus problemas financeiros. Outras são muito racionais na educação dos filhos, mas a força do raciocínio depende essencialmente dos humores da vida sexual, de tal maneira que para melhorar os estudos deles é preciso cuidar do erotismo dos pais. Há quem deixe tudo para depois, priorizando a vaidade de sentir atlético em idade avançada, sem nunca haver dado importância ao fato de achar-se feio. Etc. Por fim, cada qual possui, constrói, extingue, reinventa… seu jeito único de ser. Ninguém merece ser tão facilmente “explicado” com um modelo genérico de personalidade que reduz as infinidades de mundos individuais só para justificar alguma teoria de destaque, por mais bonita que seja.

De maneira bem simples, o interior de alguém pode ser descrito e conhecido por meio de três perguntas: o que, para este indivíduo é absolutamente determinante e inegociável, ao ponto de sua presença estimular a vitalidade e na sua falta perder totalmente o equilíbrio de suas forças e, talvez, a própria vida? O que para ele é importante de tal forma que lhe signifique realização pessoal e valha muito o esforço por alcançá-lo; cuja falta seja penosamente suportável, mas perfeitamente substituída por outra coisa ou experiência de igual valor? Além disso, o que lhe é de tão pouco ou insignificante valor que não lhe faz muita ou nenhuma falta? Nos imprescindíveis detalhes, as respostas nunca se repetem de pessoa pra pessoa e, nalguns pontos sim e noutros não, se diferem em cada época e circunstâncias durante a vida. Com espanto, uma investigação rigorosa desses pontos nos obriga a reconhecer que coisas para nós absolutamente sem importância são determinantes para pessoas muito próximas de nós. Costuma ser mais difícil quando a situação é inversa. Uma simples palavra não dita, certo perfume, uma brincadeira ou um gesto qualquer, sem que o saibamos, podem magoar, trazer imensa alegria, recuperar lembranças do passado, ser motivo de amizade por toda a vida… Coisas assim acontecem muito mais do que nos acostumamos a perceber. Quanto maior o conhecimento dos modos de ser de si próprio e dos outros, maior a capacidade ética de respeito

Mas estas não são questões didáticas a serem feitas em um questionário de avaliação psicológica e entregues ao próximo, muito menos na ante-sala do consultório. Quase nunca são perguntas. São verdades ditas na história de cada um apenas para quem sabe ouvi-las. Ouvir sem prejulgar exige compaixão, para colocar-se o máximo possível no lugar do outro, além de muita filosofia… filosofia da linguagem, epistemologia, lógica, pesquisas de estética, conhecimentos de política, noções de religião, farmacologia, literatura etc. Com muita competência, foi o que Lúcio Packter deu à filosofia: um sentido psicoterápico, um caráter clínico, um método de escuta da subjetividade tal que permite reconhecer todas as categorias de entendimento do ser humano, todos os traços existenciais da individualidade, seus signos, valores, pensamentos, corporeidade, emoções, funções de comportamento etc., tudo, enfim, que se possa afirmar como característica da psique humana e que a história do pensamento já produziu. E porque a filosofia é qualquer coisa que não dogma, este método terapêutico põe-se permanentemente aberto, pelo diálogo, às renovações que ainda hão de surgir.

Fosse a vida didática e a palavra aceita, bastaria explicar isso melhor, com alguns exemplos, dirimir dúvidas e muitos problemas decorrentes estariam definitivamente resolvidos. Eventualmente alguém funciona assim, por certo não a maioria. Há quem aprenda somente quando há uma relação de confiança e amor emanados de quem ensina. Também há quem recuse professores ou amigos e decida aprender tudo sozinho; quem prefira livros a pessoas; quem precise ver para crer ou pensar a respeito etc. Pessoalmente, depois de muito estudo, eu ainda teimo em tirar novas lições daquilo que minha mãe me disse aos nove anos. Teria Freud razão ao me analisar? Seria a psicanálise uma verdade universal em todas as épocas, culturas, idades, contextos econômicos e psicológicos diferentes? Ora… basta que haja a possibilidade de uma única pessoa desigual no mundo, distante do preceito de quem julga, para se cumprir o dever ético de primeiro buscar conhecer aquele que se quer julgar, ter consciência dos vários critérios de julgamento, permanecer autocrítico e humilde, para só depois afirmar conhecimentos da individualidade de alguém. Modelos sociológicos e tipos psicológicos ajudam na compreensão geral e são absolutamente necessários como um ponto de partida, amparados na pesquisa séria dos que se dedicam à ciência. Contudo, defronte a singularidade do outro, face a face, nenhuma teoria pode antecipar ou substituir a escuta, para se evitar os monólogos da tirania e a máscara da bondade. Quem não souber a escuta, saiba o silêncio.

Posicionamento do IMFIC diante das propostas Estatutária da ANFIC

A Diretoria Executiva do Instituto Mineiro de Filosofia Clínica - IMFIC, diante das propostas do Anteprojeto do Estatuto do Filósofo Clínico e do Especialista em Filosofia Clínica, do Anteprojeto Social da Associação Nacional dos Filósofos Clínicos (ANFIC), do Anteprojeto do Código e Ética e Disciplina do Filósofo Clínico e do Especialista em Filosofia Clínica, e do Anteprojeto das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação em Filosofia Clínica – vem se posicionar novamente CONTRÁRIA à aprovação do inteiro teor destes documentos e reiterar o que propôs no XVII Encontro Nacional de Filosofia Clínica, ocorrido em Chapecó, no período 4 a 7 de junhos deste ano, deixa como INDICATIVO:
1) que sejam retirados da pauta a votação os anteprojetos acima referidos;
2) que se defina, via consulta aos associados em assembleia específica para esse fim e convocação com seis meses de antecedência, se a ANFIC é uma entidade de classe ou uma entidade formadora.
Tal posicionamento fundamenta-se primeiramente no parecer jurídico abaixo citado:

“Grande parte das profissões não são regulamentadas, ou seja, não contam com legislação específica. Assim, não possuem o Conselho, autarquia regional ou federal, que detém o ônus público de fiscalizar o desempenho da profissão, bem como proteger os interesses da sua classe (Exemplo: a exclusividade da acupuntura foi disputada entre as classes de médicos e enfermeiros). 
Entretanto, interessante notar que quando a profissão não é regulamentada sua fiscalização fica a cargo do Ministério Público e delegacias regionais do trabalho. Conquanto à fiscalização de cursos, esta atividade cabe ao MEC.
Deste modo, ao analisar os documentos em anexo, bem como o conteúdo presente no site da Associação, ressalto que não é possível, através de uma associação civil, a imposição de obrigação, de forma geral e irrestrita, de filiação, pagamento de anuidade e atendimento de diretrizes para formação do profissional. Entretanto, aqueles que se encontrarem filiados, sejam profissionais ou instituições, acordam com o conteúdo do código de ética e demais instruções e, portanto, restam obrigados a observa-los.
O caminho que identifico como certo para atingir os objetivos presentes no estatuto é a aprovação de projeto de lei que regulamente a profissão, estabelecendo assim um conselho para realizar a devida fiscalização. Entretanto, me corrija se estiver enganado, mas a filosofia clínica é uma área de especialização contida dentro da filosofia e, nesse caso, já se encontra em tramitação o projeto de 2533/11 que visa regulamentar a profissão de filósofo. Assim, com eventual aprovação e existência do conselho de filosofia, a filosofia clínica teria espaço, creio eu, para ser devidamente regulamentada.
Assim, mediante estas informações, prevejo duas atitudes possíveis:
1) se for a intenção da associação realmente deter força cogente quando da determinação das matérias e carga horária mínima para a formação do profissional, então que se mantenha essa aparência de conselho profissional e obrigatoriedade. Mas que se saiba que nada poderá ser exigido legalmente, principalmente com relação a cobrança de anuidade daqueles não filiados, pois nesse caso haveria cobrança indevida; 
2) outra possibilidade é deixar claro, desde logo, que todos os comandos contidos no Estatuto e Código de Ética detém caráter aconselhativo, originados mediante deliberação da associação que possui grande respaldo e legitimidade, vez que reúne a maior quantidade de profissionais da área. Ou seja, traz legitimidade aos seu filiados. ”

Matheus Braga Calcagno
OAB/MG 153.245

Após a consulta jurídica, e deliberação de sua composição executiva, o IMFIC, Instituto Mineiro de Filosofia Clínica, entidade de cunho educacional legalmente constituído, não corrobora com as disposições propostas pela ANFIC, ajuizando que as mesmas consistem em medidas abusivas e centralização de poder sobre uma área de conhecimento, denominada Filosofia Clínica e sobre os profissionais de mesma área. Em nosso entendimento tais medidas, comprometem o crescimento e autonomia das Instituições Formadoras já existentes, assim como a livre concorrência entre as instituições que notadamente é benéfica para a qualidade do ensino e da formação.
Aclaramos também que o IMFIC, caso a votação aconteça, seguirá suas atividades normalmente e de forma independente da ANFIC, respaldado pela LDB – Lei de Diretrizes de Bases em seu: TÍTULO I - Da Educação Art. 1º. § 1º “Esta Lei disciplina a educação escolar, que se desenvolve, predominantemente, por meio do ensino, em instituições próprias. ” Lembrando que “educação escolar” é composta por: educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio) e educação superior, conforme Art. 21 desta mesma LDB.
Vale ressaltar que é necessário aqui colocar a legislação cabível e que é acima de todas outras e consta da Constituição da República Federativa do Brasil em seu Título II, dos Direitos e Garantias Fundamentais, em seu Capítulo I dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos em Art. 5º, item XIII que versa: “é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações que a lei estabelecer. ”
Outro destaque a ser feito, para que a Filosofia Clínica não fique sujeita à uma instituição que não tenha nada a ver com a Filosofia Clínica, conforme o item 2 do parecer jurídico supracitado, é a não necessidade das disciplinas ligadas à área da filosofia acadêmica que tornarão o curso uma especialização da filosofia e sujeito, caso aprovado o projeto 2533/11, ao Conselho de Filosofia. Sugerimos que as disciplinas sejam adequadas a uma disciplina que fundamente a filosofia clínica filosoficamente. Entendemos, também, da não necessidade da graduação em filosofia para que o estudante possa tornar-se um filósofo clínico.
Diante do exposto, o IMFIC entende não ser um direito seu impor que as pessoas a ele ligadas tenham que optar por esta entidade ou aquela, visto ser o IMFC uma entidade educacional, conforme seu estatuto e a ANFIC uma entidade de classe, conforme seu estatuto, até o momento. No entanto


Caldas, 26 de outubro de 2015,

Atenciosamente, Diretoria Executiva do IMFIC

Izabel Cristina Pereira
Márcio José Andrade da Silva
Marta Claus Magalhães
Entrevista com John Searle

Entrevista de Lúcio Packter com John Searle

John Searle e Lúcio Packter encontraram-se há alguns anos, a convite de uma jornalista da Rede Manchete de televisão que solicitara ao filósofo brasileiro uma entrevista com  colega norte-americano. A entrevista foi filmada e, posteriormente, traduzida e transcrita pela filósofa clínica Geneci Bett.

PackterSão muitas as concepções dadas à Filosofia. Para alguns, o questionamento deve iniciar pelo nome; para outros, somente o nome encontra-se a salvo. Na sua opinião, o que é filosofia?

Searle – Penso que não podemos dar uma simples definição do que é filosofia. Em geral, os problemas filosóficos têm várias características. Primeiro, são problemas para os quais não temos solução sistemática através de um método científico. Exemplo: podemos estabelecer cientificamente a causa de uma doença, mas a filosofia não trata desse tipo de questão, como, o que é a natureza da causa, em geral.

A segunda característica da filosofia é o interesse pela natureza e a verdade, natureza e a realidade, natureza e virtude, natureza da boa vida, questões específicas.

A terceira característica dos problemas filosóficos é que eles tendem a ter relações conceituadas como concepções de Verdade, conhecimento e realidade.

Entretanto, não podemos dizer depois disso, qual é a definição de filosofia, algumas vezes, pessoas me dizem que isto não é filosofia e depois, dizem isto é filosofia. Mas, realmente eu não sei o que a universidade diz ser, eu não me preocupo com isso.

PackterMuitas foram as tentativas de fazerem filosofia além dos muros universitários. Experiências foram realizadas desde a Alemanha aos Estados Unidos. Eu pergunto se a filosofia pode fora da universidade?

Searle – Eu penso que a filosofia é o assunto mais abrangente, e que a universidade não vai sobreviver sem filosofia. E também penso, que podemos encontrar filosofia em toda a universidade.

Eu penso que o ser humano, existindo, pode refletir sobre questões do tipo: O que eu faço? E por que eu faço? São questões filosóficas. A filosofia está em todo lugar. Na universidade nós pagamos para fazê-la, ela é convincente e mais sistemática. Assim, a filosofia está em todo lugar, não há como evita-la.

PackterHá pouco começamos a estudar temas que já são rotineiros nas melhores faculdades europeias e norte-americanas. Poderia explicar ao estudante de filosofia brasileiro o que estuda a Filosofia da Mente?

Searle – O estudo da filosofia da mente é saber como a mente trabalha, como a relação entre mente e realidade se dá, qual a relação entre minha mente e o cérebro, a relação entre minha mente e o mundo externo (representações), minha mente e outras mentes, entre minha mente e mentes humanas, minha mente e a mente dos animais; o que são as estrutura dos estados mentais; qual é a natureza dos processos mentais e todos os assuntos da filosofia da mente e mais, o que é interessante nas áreas da filosofia da mente.

PackterA filosofia tem passado por situações difíceis como disciplina, não muito diferente das situações históricas que se precipitaram sobre ela. Mas a filosofia sobreviveu durante longos períodos no passado. Ela sobreviverá ao hoje?

Searle – A filosofia sempre irá sobreviver enquanto houver ser humano e tanto quanto ele for capaz de pensar. A tradição é que ela começou com os gregos; eu penso que nós fizemos melhor que outras tradições culturais porque nós fizemos mais sistematicamente. Os gregos fizeram a grande invenção, a melhor, é a ideia, a teoria. Da ideia há a sistematização da teoria.

Penso que, qualquer reflexão da vida, da natureza que queremos fazer, da natureza dos valores, isso vem de uma tradição filosófica. quando nós desenvolvemos um método sério para fazer alguma coisa sistemática, quando temos um método geralmente aplicável, temos um resultado seguro. Então, vamos em direção à ciência, sai da filosofia e nascem as várias ciências, algo como a ciência da mente, da linguagem, e outros tipos de ciências que estão surgindo fora da filosofia.

PackterVocê está trabalhando em algum livro?

Searle – Estou trabalhando em quatro livros, mas o que está me ocupando mais aqui em Fortaleza é o livro sobre racionalidade. O que é racionalidade, e o que significa falar da racionalidade do ser humano ou dos animais racionais. Qual é a natureza dos processos que nos caracteriza como racionais. O que é racionalidade e irracionalidade. Estes são os assuntos dos meus próximos livros.

fonte: Jornal da Filosofia Clínica, publicado pelo Instituto Packter - Janeiro de 2002.

 

Ética e Filosofia Clínica

José Gabriel de Oliveira Lima

Márcio José Andrade da Silva

 

 

Quero não ferir meu semelhante Nem por isso quero me ferir

Beto Guedes – Sal da Terra

 

O que é, afinal, a Ética? Somos éticos? O que é agir de forma ética? Para iniciarmos nosso diálogo um fragmento da obra de Alain Badiou, Ética – um ensaio sobre a consciência do mal.

“Certas palavras eruditas, há muito confinadas aos dicionários e à prosa acadêmica, tem que se torna, sem compreender por que a sorte, ou o azar – um pouco como uma solteirona resignada que torna, sem compreender porque, a coqueluche de um salão -, de saírem subitamente ao ar livre, de serem plebiscitadas e publicitadas, impressas, televisadas, mencionadas até nos discursos governamentais. A palavra ética, que tão fortemente sabe a grego, a curso de filosofia, que evoca Aristóteles (Ética a Nicômaco, um best-sellers famoso!), encontra-se hoje sob a luz dos holofotes.

Ética refere-se, em grego, à busca de uma “maneira de ser”, ou à sabedoria da ação. Desse modo, a ética é uma parte da filosofia, aquela que coordena a existência prática com a representação do Bem.

Foram sem dúvida os estoicos quem com mais constância fizeram da ética não apenas uma parte, mas o próprio cerne da sabedoria filosófica. O sábio é aquele que, sabendo discriminar entre as coisas que dependem dele e aquelas que não dependem, organiza sua vontade ao redor das primeiras e suporta impassivelmente as segundas. Conta-se, aliás, que os estoicos tinham o costume de comparar a filosofia a um ovo, cuja a casca era a Lógica, a clara era a Física e a gema, a Ética.

Para os modernos, para os quais a questão do sujeito, desde de Descartes, é central, ética é mais ou menos sinônimo de moralidade, ou – diria Kant – de razão prática (diferenciada da razão teórica). Trata-se das relações da ação subjetiva, e de suas intenções representáveis, com uma Lei universal. A ética é o princípio de julgamento das práticas de um sujeito, seja ele individual ou coletivo.

Notar-se-á que Hegel introduziu uma sutil distinção entre “ética” (Sittlichkeit) e “moralidade” (Moralität). Ele reserva o princípio ético à ação imediata, enquanto a moralidade concerne à ação refletida. Dirá, por exemplo, que “a ordem ética consiste essencialmente na decisão imediata”.

O atual “retorno à ética” toma essa palavra num sentido evidentemente difuso, mas certamente mais próximo de Kant (ética do juízo) que de Hegel (ética da decisão).

Na verdade, ética designa hoje um princípio de relação com “o que se pensa”, uma vaga regulação de nossos comentários sobre as situações históricas (ética dos direitos humanos), situações técnico-científicas (ética do ser vivo, bioética), situações “sociais” (ética do estar-junto), situações ligadas à mídia (ética da comunicação) etc.

Essa norma de comentários e opiniões está apoiada em instituições e dispõe de sua própria autoridade: existem “Comissões Nacionais de Ética” nomeada pelo Estado. Todas as profissões se interrogam sobre sua “ética”. Organizam-se até mesmo expedições militares em nome da “ética dos direitos humanos”. (BADIOU, Alain. Ética – um ensaio sobre a consciência do mal. Pg. 15-16, Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1995)

Ora, é possível então dizer que a ética constitui-se como base para a relação humana. Há uma aspiração para que ela seja universal, especialmente nos princípios que norteiam a constituição da moral, pelo menos tem predominado assim na tradição filosófica ocidental.

Ainda que cada um seja distinto, nos parece difícil falar de ética sem separar-se dos pressupostos universais da metafísica aristotélica, quando tratamos do assunto, por exemplo: o homem, a felicidade, a natureza, etc. Desta forma é um desafio construir uma referência ética sem esses pressupostos ontológicos: de que homem estamos falando? Que visão de mundo vai embasar esse caminho ético?

Se a ética tem que nortear a nossa ação, a nossa prática – ou práxis como gostam de citar os humanistas. Como, diante da singularidade, podemos pensar uma ética não generalista? Pois, afirmar que os homens vivem em um mundo nos parece uma ilusão abstrata. Efetivamente, será que essa concepção é sustentável? O homem, como aprendemos na Filosofia Clínica vive em mundos distintos, cada pessoa é única e se constitui e compreende o mundo de forma singular. Na Filosofia Clínica, esses conceitos de alteridade, singularidade, subjetividade, ganham uma representação, uma significação e um respeito por um indivíduo único. Aliás, só há respeito, na concepção de Lévinas, mediante à consideração da alteridade, perceber o outro como verdadeiramente outro, e não como eu quero concebê-lo. Portanto, tratar da ética de forma universalista fica muito abstrato. Então que ética buscamos?

Vivemos desta forma um grande paradoxo. Como sugerir caminhos para sairmos dessa espécie de armadilha? A teoria levinasiana de alteridade, defende fortemente essa premissa: cada um é exclusivo. Nós existimos a partir do outro, segundo o filósofo lituano. Somos únicos em relação ao outro, nossa existência só faz sentido por vivermos em interseção com o outro, como diz Aristóteles: “o homem é um animal político”, um sujeito da Polis, um ser social.

Outra referência diante disso nos é dada por Protágoras, que afirma ser cada um a sua própria medida. Ora, se cada um é um ser único, que mensura o mundo através de suas singulares lentes, como sustentar uma ética para todos? Uma única ética que governe a ação de todos? Ainda que não seja razoável visualizar o convívio humano sem um norte abrangente, uma ética universal.

Como responder a essa questão? Como querer agregar ou superar isso, se temos isso em nossa constituição, em nossa cultura herdada dos conceitos gregos de herói, o individual que se destaca e supostamente resolve o problema da coletividade? A modernidade retoma e reforça esse conceito do herói de forma deturpada, pois é um individualismo massificado. É o EUindivíduo distinto do eu-individualista.

O primeiro possuidor de uma identidade própria, sobretudo no pensar, no discernimento em ser, que se reflete em seu agir no mundo. Ele não parte de referências impostas ou reproduzidas do mundo exterior, ele não é um imitador. O indivíduo fortalece, e é fortalecido, por essa coletividade anárquica, desmassificada. sua qualidade é diferente porque a característica central dessa coletividade é a consideração pela distinção que cada um é, ou tem, em outras palavras a singularidade.

O segundo é o sujeito que se vale da coletividade. Por se referenciar em padrões sociais, existenciais, alheios, etc. Ele é portador de uma identidade obscura, uma falsa identidade que ele acredita ser sua. Se vale da crença em um sujeito universal coletivo, o que é uma ilusão, por no mínimo dois motivos: 1) não existe o homem universal e 2) essas referências não lhe pertencem, são alheias, daí o indivíduo alienado (o eu-individualista). Apesar de observarmos um discurso de defesa da coletividade, em verdade ele é imbuído de uma essência do “herói grego” do melhor da espécie, do vencedor, aquele que está acima dos outros. A sociedade da competição. Apesar do discurso de que “cada um é um” e, dessa forma, todos são iguais. Isso é visível no âmbito político, propiciando o aparecimento e a sustentação de chefes, líderes, ídolos, ou seja, o herói grego, como Ulisses, Aquiles etc.

Uma prova disso é que quando esse líder atinge o destaque, ele, quase sempre, se volta opressivamente contra os que o criaram e deram sustentação para ele ser. Ele, de certa forma torna-se um indivíduo, no entanto é um indivíduo sem consistência porque não é resultado da igualdade ética. Que seria um conjunto verdadeiramente formado de indivíduos de fato. Ele é, dessa forma, um acidente dessa construção de uma sociedade homogeneizada. Tornando-o ilegítimo.

Desta forma a busca socrática, realizada através da maiêutica, visa “limpar” a estrutura existencial do sujeito dos agendamentos sociais sofridos, assim, abrindo caminho para que ele possa ser ele de fato.

A Filosofia Clínica, enquanto uma proposta ética, procura escutar o outro e, através de seu ferramental teórico, permitir que a pessoa comece um caminhar em busca de suas verdadeiras questões.

FILOSOFIA CLÍNICA – prof. Gabriel Lima

Filosofia Clínica, inovação de considerável relevância na uso e na concepção da filosofia geral e, sobretudo na peculiaridade com a qual enfoca os indivíduos humanos. Passou a ser divulgada em meados da década de 1990 e vem conquistando um crescente número de adeptos e praticantes em diversas cidades do Brasil e inicia sua expansão em outros países. A Filosofia Clínica não é voltada só para filósofos, mas também destina-se a profissionais e estudiosos de outras áreas como saúde, educação e humanidades em geral.

Um dos elementos distintivos da Filosofia Clínica é o seu caráter prático-aplicativo. O exercício especulativo ganha pouco espaço se comparado ao uso prático adaptado de metodologias e conceitos oriundos de diversos pensadores e correntes filosóficas sempre destinados ao serviço de uma prática terapêutica e educativa. A resultante dessa composição tão diversificada que caracteriza a Filosofia Clínica está na vanguarda de nosso tempo histórico, destacadamente no que se refere à sensibilidade com que procura lidar com as pessoas. Nela cada indivíduo é concebido por uma perspectiva única desde sua comunicação até os elementos mais densos e abrangentes da existência. É a busca do autêntico respeito, de uma verdadeira alteridade, por uma efetiva deferência ao outro. Desconsidera, portanto, rótulos preestabelecidos acerca do indivíduo.

Ao observar a constituição e os potenciais da Filosofia Clínica assentados em seus princípios éticos e humanísticos como norteadores do árduo trabalho que é desbravar este mundo, pode-se vislumbrar um devir colorido por tons tão avançados que os nossos prismas contemporâneos não estão habituados a registrar. Inéditas configurações intelectivas e enfoques mais lúcidos estão sendo edificados por essa nova arquitetura filosófica.